“SE ACEITAR” REFORÇA OS PRECONCEITOS?

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“SE ACEITAR” REFORÇA OS PRECONCEITOS?

 

Volta e meia vejo declarações do tipo “passei a me aceitar” e me pergunto:  Por que temos que nos aceitar em nossas características físicas, psicológicas, opções ou decisões? Aceitar significa receber de boa vontade aquilo que nos é oferecido, admitir a contragosto, aderir, concordar contra a própria vontade, suportar. Como enquadrar por exemplo, o aceitar-se gorda ou magra, ou homossexual ou transgênero, ou   sardenta,  ou de cabelos crespos? É admitir a contragosto ou concordar contra a própria vontade ou suportar? Se apenas suportamos algo, na realidade aquilo não se transformou numa verdade dentro de nós, numa coisa que vemos com normalidade. Será que na realidade se aceitar reforça o preconceito?  Aquilo vai sempre carregar o peso de algo que no fundo, ainda nos incomoda. Só se torna normal quando entendemos que é uma característica nossa como tantas outras e que não define por si só quem somos. O que define quem somos é o “conjunto da obra”. Se colocamos todo o peso de nossa identidade em uma só característica, estaremos reduzindo todas as outras a zero. As pessoas nos veem como nos mostramos para elas. Lembro que na minha infância tinha um apelido que me irritava e, meu pai sempre dizia, quando você parar de se importar, eles vão parar de te chamar assim. E não é que foi assim mesmo! Somos um reflexo dos nossos pensamentos, de nossas atitudes.  Mas não somos feitas em linhas de produção de fábricas de seres humanos. Somos obras únicas e vamos nos construindo como pessoas ao longo da vida em função de nossas atitudes perante as atitudes dos outros.

A sociedade reflete o que a classe dominante define como “padrões socialmente corretos”. Não se encaixou no padrão está “fora do jogo”. Só que esses padrões não são e, não podem ser estáticos. São mutáveis em função de vários fatores como culturais, políticos, econômicos e religiosos. O que era socialmente correto em épocas remotas, hoje pode não ser e, o que é hoje, pode não ser amanhã. Então, por que preocupar-se com esses padrões? Com os preconceitos que se originam desses padrões? Afinal, é só uma questão de tempo. Somos todos a nossa melhor versão de nós mesmas,  principalmente pela nossa diversidade.

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