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Ana Zuleide e a filha Samanta

“Toda unanimidade é burra”. Amo essa frase de Nelson Rodrigues porque ela diz também, de uma forma ou outra, que toda generalização é burra. Por quê? É que, pela generalização, acabamos rotulando indevidamente certos grupos de pessoas. Vejo por exemplo, a questão do transgênero  que é o indivíduo que se identifica com um gênero diferente daquele que corresponde ao seu sexo atribuído no momento do nascimento. De acordo com as convenções sociais tradicionais, existem dois tipos de gêneros: masculino e feminino. Durante muito tempo a identidade de gênero esteve ligada exclusivamente ao sexo biológico das pessoas. Por exemplo, se determinado indivíduo nascesse com um pênis, logo ele deveria se comportar e gostar de todas as coisas relacionadas ao gênero masculino (homem), sendo que, as características que qualificam o gênero como masculino são rodeadas de estereótipos, como jogar futebol, brincar de carros, não usar vestidos e etc. Uma pessoa transgênero é aquela que mesmo nascendo com um pênis, por exemplo, não se identifica com o gênero masculino. Apesar do que muitos pensam, a identidade de gênero não está obrigatoriamente relacionada com a orientação sexual. Ou seja, uma mulher transgênero (homem que se identifica com o gênero feminino), pode ser homossexual (caso sinta atração por mulheres) ou heterossexual (caso sinta atração por homens).Transgeneridade não é uma doença ou distúbio psicológico. Combate-la é, mais ou menos,  como exigir que uma pessoa canhota se torne a força, destra. No máximo ela será uma pseudo-destra e viverá sempre se policiando para não deixar transparecer sua verdadeira lateralidade. Será feliz?

No site http://claudia.abril.com.br/ tem relatos de quatro mães de transgêneros, um dos quais vou resumir aqui.  Ana Zuleide Mendanha, 60 anos, relata que desde os 5 anos, sua filha Samanta, então um “menino”, gostava de brincar com bonecas

Ana Zuleide e a filha Samanta

o que acabou fazendo com que ela o levasse a uma psicóloga. E, seguindo o conselho dela, passou a não permitir essas brincadeiras. “Percebi que ela se entristeceu e chegou a comentar que queria ter nascido como as meninas, porque as meninas podem usar brincos, vestidos, batons e brincar de bonecas”. Decidi então, diz Ana Zuleide, esquecer o conselho da psicóloga e deixei ela brincar. Ela voltou a ser feliz. Até que  chegou à adolescência, ela se tornou uma pessoa calada, reservada e, que evitava a família. “Perguntei se o modo como a criei havia influenciado de alguma maneira e ela respondeu que eu havia lhe dado a felicidade de poder brincar”, diz Ana Zuleide. Cinco anos depois, a filha contou à mãe “Eu sou transgênero. Estou decidida a lutar pelo que eu acredito e pela minha felicidade, tendo ou não sua benção”. “Minha reação imediata foi de angústia. E se os procedimentos de mudança que ela pretendia fazer dessem errado? Fiquei com medo, mas sabia que não tinha muito o que fazer a não ser apoiá-la. Hoje fico feliz que tudo deu certo. Sabe, antes de Samanta eu não entendia muito bem essa história de transgêneros. Mas agora eu entendo melhor. Minha filha despertou em mim a vontade de lutar por essas pessoas cuja família não as aceitam. É preciso entender que os trangêneros não escolhem ser quem são. Eles nascem assim. Eles já são excluídos da sociedade, da igreja… Se a família não os apoiar, o que vai ser dessas pessoas? Precisamos apoiar nossos filhos” finaliza  Ana Zuleide.

Linda lição, o que mais dizer?

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