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DA CAVERNA, PELAS RUAS, DO ORFANATO À ESCRITORA DE BEST-SELLER!

“Nós éramos muito pobres e viver ali, era mais seguro do que nas ruas da cidade”, explica. “O tempo que passamos juntas na caverna foi o mais feliz da minha vida. O mais difícil para nós era a fome, a busca pela comida e a sobrevivência” relata Christina Rickardsson, 34 anos, autora do livro best-seller “Nunca Deixe de Acreditar”. Amei o livro e a entrevista que ela deu à repórter Helena Bertho do site https://estilo.uol.com.br

Ela nasceu em 1983 em Diamantina e, com apenas 15 dias, foi viver com a mãe Petronília, numa caverna nos arredores da cidade. “Nós éramos muito pobres e viver ali era mais seguro do que nas ruas da cidade. O mais difícil para nós era a fome, a busca pela comida e a sobrevivência”. Com 5 anos, iniciaram uma jornada que terminou nas ruas de São Paulo, onde viveu o resto de sua infância. Na capital paulista, elas viviam nas ruas. Às vezes, a mãe encontrava trabalhos e elas podiam comer melhor, mas em muitos momentos precisavam pedir ou roubar para comer. Uma vez, a mãe começou como faxineira em uma empresa. A filha ia junto e tentava ajudar como dava. Até que um dia, o patrão se aproximou e abusou dela. Quando soube, sua mãe a pegou no colo e saiu dali para nunca mais voltar. Foi com essa situação que Christina entendeu que o mundo fora da caverna não era seguro e ela precisaria aprender as regras para sobreviver. Por algum tempo, elas viveram em uma favela, Brasilândia. Lá Christina conheceu sua primeira amiga, “Camile era o nome dela. Nos conhecemos na favela e, através dela, conheci outras crianças e passei a pertencer a um grupo de amigos com muitas coisas em comum”. Às vezes buscavam comida  no lixo, outras vezes conseguiam com pequenos furtos. Mas não durou muito. Um dia as duas acabaram dormindo nas ruas de um bairro nobre e quando acordaram, foram abordadas por policiais. Elas tentaram fugir, correram, mas Camile foi pega. Christina voltou para buscá-la e, escondida assistiu a pior cena da sua vida: viu Camile levar um tiro na testa, junto de outras crianças e cair morta no chão. “Uma parte da minha alma morreu junto com Camile“.Petronília engravidou novamente e Christina ajudava a cuidar de seu irmão, Patrique. Viveram ainda quase um ano de dificuldades, em que muitas vezes a menina precisou chegar a cheirar cola para conseguir enganar a fome que sentia. Até que um dia a mãe disse para ela: “Vou trabalhar como faxineira na casa de uma família rica, mas não posso levar vocês comigo”. Christina e Patrique foram para um orfanato, onde sua mãe ia visitá-los aos domingos. Segundo a diretora da instituição, Petronília estava doente e fora proibida de ver as crianças. Mas a verdade é que a mãe ainda aparecia no portão da escola para tentar encontrar com os filhos e era proibida de entrar. Foi nesse portão que Christina viu pela última vez a mãe e, chorando, tentou segurar sua mão enquanto era puxada pelos funcionários.  Pouco tempo depois disso, ela e o irmão foram adotados por um casal de suecos, Lili-Ann e Sture Rickardsson. Sua vida mudou por completo. “Quando cheguei na Suécia, eu tinha oito anos e meu irmão um ano e 10 meses. Era eu quem tinha todas as memórias de quem nós éramos e isso era muito importante para mim. Então eu decidi contar nossa história para meu irmão todas as noites, para que eu não perdesse quem eu realmente sou”, conta Christina. Mas a adaptação não foi muito difícil. “Eu era boa em me adaptar, porque eu havia feito isso minha vida inteira”. Por 24 anos, Christina viveu uma vida tranquila, sem fome e sem medo na Suécia. Até que aos 32 decidiu voltar para o Brasil. Com ajuda de uma amiga e de um detetive particular, reencontrou a mãe. “Mamãe viveu mais 14 anos nas ruas depois que Patrick e eu fomos adotadas. Saber que ela teve uma vida tão difícil me deixa muito triste“, contou a escritora. Mesmo depois de ir viver com as irmãs, Petronília ainda voltava para São Paulo para tentar encontrar os filhos, sempre alimentando a esperança de revê-los. Saber disso mexeu demais com Christina, que quis aproveitar cada segundo que teve ali com sua mãe.  Dessa viagem, dois frutos vieram. O livro “Nunca deixe de Acreditar – das ruas de São Paulo ao norte da Suécia”, que acaba de  ser lançado no Brasil. E a ONG Coelho Growth, que oferece suporte e educação para crianças em situação de rua e orfanatos de São Paulo e do Rio de Janeiro. “O governo não está fazendo seu trabalho e a sociedade está ignorando mais de 7 milhões de crianças pobres. Basta dar a elas a oportunidade de fazer algo de suas vidas para que não virem criminosas“, explica ela sobre a decisão de fundar a ONG.

Verdade, Christina, nossos governantes e a sociedade em geral, preferem não ver a infância perdida e sofrer a violência desse descaso…

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