VAMOS FALAR DAS CRIANÇAS INVISÍVEIS?!
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Vamos falar de educação? De professores? Sim. Mas da educação que prepara para a realidade da vida e, de professores que vão muito além. 

Imaginem uma menina de 8 anos, analfabeta, sentindo-se tão mal na escola a ponto de sonhar ser uma criança invisível. Essa menina, hoje, uma pedagoga, Gina Vieira Ponte conta que sofria hostilidade e agressão por causa da sua cor, do seu cabelo.

Gina Vieira Ponte e a Professora Creusa Pereira dos Santos Lima

Seu maior sonho era ser uma criança invisível, porque era a única forma de se livrar das agressões às quais era submetida. “Eu já cheguei na escola muito abatida pelo racismo por ser uma menina negra, da periferia, filha de trabalhadores domésticos e analfabetos. Eu tinha uma dificuldade de aprendizado e não acreditava em mim”, conta ela. Até que foi “abraçada” pelo afeto da  professora Creusa Pereira dos Santos Lima, que a fez se autovalorizar. Gina hoje, trabalha em uma escola, em  Ceilândia, Brasília  – lugar com alto índice de criminalidade e de tráfico. Da vontade de  mudar a realidade ao seu redor, nasceu o projeto “Mulheres Inspiradoras” . O que fez ela? Se reinventou.

Gina Vieira Ponte

Para se aproximar dos alunos, passou a participar de  redes sociais.  E lá, ela percebeu que suas alunas reproduziam padrões de gênero  em que a mulher era sempre objetificada e hipersexualizada.  Ao assistir um vídeo de uma menina de 13 anos que dançava com forte apelo erótico, ao som de uma música com letra extremamente pejorativa, Gina se sentiu incomodada pensando nos riscos   que aquela menina poderia estar submetida. Ela tentou discutir a questão com algumas pessoas, mas  o que ouviu foi o discurso do senso comum, que é aquele de que se a menina fez isso é porque ela é mesmo uma periguete e ela merecia receber qualquer tipo de ofensa.”. Gina entendeu então, que as meninas, desde que chegam ao mundo, são expostas a representações sociais e estereótipos de conteúdos que sempre associam a mulher a objetos sexuais. “Aquela menina, na verdade, postando aquele vídeo, buscava pertencimento e aceitação, porque a mídia e a sociedade dizem para essas meninas que elas só podem ser validadas como mulheres se elas forem capazes de suscitar o desejo masculino. Eu acho que a minha aluna tem todo o direito de postar o vídeo que ela quiser, mas eu entendo que ela tenha que ser esclarecida para que o faça com o entendimento de quais são as consequências” – diz Gina. Em 2014, ela iniciou o projeto, compartilhando  com os alunos  as biografias de mulheres que considerava referências e, tinham diferentes origens, idades e raças, como O Diário de Anne FrankEu sou Malala, Quarto de despejo: diário de uma favelada. Ela convidou os adolescentes a escolherem suas próprias inspirações e pediu para que eles contassem a história das mulheres que os encantavam, como mães, avós, amigas. E foi aí que o projeto ganhou toda a sua força. “Eu queria que eles pudessem ressignificar o olhar sobre a própria cidade, pela própria comunidade local a partir da narrativa de mulheres da vizinhança. Na última etapa do projeto, a gente propôs que os alunos olhassem para a vida deles e escolhessem uma mulher inspiradora que eles deveriam entrevistar e depois transformar a entrevista em um texto autoral. Alguns não sabiam dizer a cidade onde a mãe havia nascido, detalhes da infância, outros sequer lembravam a data de nascimento delas. Em mais de 150 entrevistas, nós descobrimos histórias de violações de direitos. Mulheres que foram expulsas de casa porque engravidaram. Mulheres vítimas de violência sexual e doméstica. Alunas que tiveram as mães assassinadas por seus ex-maridos.”.

Gina poderia ter permanecido nos limites impostos pelo preconceito sofrido; poderia ter se limitado ao conteúdo preestabelecido; poderia ter seguido em frente ou ficado “em cima do muro”. Não ela!  Gina retribuiu o “abraço” de sua professora, que lhe salvou da invisibilidade, buscando a autovalorização dos seus alunos; a validação das suas alunas como mulheres não objetificadas e,  educando seus alunos para não serem adultos sexistas, preconceituosos e socialmente deslocados. Inspiradora demais, concordam?

 

Fontes:

http://www.msn.com/pt-br/estilo-de-vida/beleza-sem-filtro/o-projeto-desta-professora-sobre-equidade-de-g%C3%AAnero-est%C3%A1-transformando-a-vida-de-alunos-do-df/ar-BBAQBY5?ocid=spartanntp

https://claudia.abril.com.br/noticias/o-professor-e-um-davi-que-todo-dia-tem-que-matar-um-golias/

https://extra.globo.com/noticias/educacao/a-educacao-como-caminho-para-lutar-contra-desigualdade-21855611.html

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