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QUEM COMPARTILHA SEXTING PROVOCA SUICÍDIOS?!

Karina Saifer Oliveira

Karina Saifer Oliveira, 15 anos, era aluna do primeiro ano do ensino médio em Nova Andradina,(MS), cidade com cerca de 50 mil habitantes. Aos 14 conheceu um rapaz de dezessete anos com quem teve relação sexual. Ele, como um troféu, publicou em suas redes sociais fotos íntimas da garota, que logo viralizou pela escola e pela cidade.

Karina Saifer Oliveira

Aí, começou o inferno astral da menina, que acabou no último dia 06/11, com ela se enforcando em casa.

Seria a princípio, apenas mais uma história de adolescente “apaixonada”. Seria a princípio, apenas mais uma história de adolescente tendo sua primeira relação sexual aos 14 anos. Cedo? Na realidade, hoje, nem tanto. Seria a princípio, apenas uma história de uma adolescente que correria atrás de seus sonhos ? Mas, não foi… E por que não?

Muitos dirão: “Ela não deveria ter permitido as fotos”; “Ela mostrou-se vulgar”; “Ela sabia o que estava fazendo”; “Ela encontrou o que buscava” e por aí vai. Essa é a visão da sociedade que ainda carrega um ranço machista que objetifica e culpa a mulher mesmo quando ela é vítima. Sim. Karina como tantas outras foi vítima. E o pior, vítima de centenas, milhares de pessoas. Pessoas que compartilharam e curtiram as fotos.

Precisamos falar em sexting que é o termo usado para descrever o envio pela internet de conteúdo erótico ou sexual, como fotografias e vídeos. É uma prática mais comum entre jovens. Hoje, os jovens são “bombardeados” com informações em tempo real. Mas, são informações, não conhecimento. Não vejo como exigir de uma adolescente a maturidade de uma mulher adulta. Falta a experiência que só a escola da vida nos dá. É importante que esse assunto seja abordado na família, na escola, em todos os lugares. Mas, não só com as meninas, também e principalmente, com os meninos. Meninas que além de possíveis vítimas também compartilham sem perceber a gravidade desse ato, pelo simples prazer de criticar. Meninos que hoje sentem prazer e se divertem compartilhando esses conteúdos e que no futuro farão o quê? É essa geração que queremos formar?

Precisamos falar de cyberbullying que o envio de mensagens com imagens e comentários depreciativos que se alastram rapidamente e tornam o bullying ainda mais perverso. A vítima se sente acuada e, muitas vezes, sem saber de quem se defender. Quantas “Karinas” não estarão, nesse momento, sendo alvo de cyberbullying?

Muitos compartilharam também fotos do suicídio da adolescente. Desses, falar o quê?

Afinal, quantas e quais pessoas “suicidaram” Karina? 

 

 

 

 

 

 

 

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