ELAS NÃO ACEITARAM A BASE DA PIRÂMIDE…

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Livro de Madu Costa Ilustração de Rubem Filho - Mazza Edições

Era uma vez três meninas, uma paulistana que sonhava em ajudar as pessoas a superar os traumas da discriminação, outra gaúcha, olhava as estrelas e sonhava alcançá-las e, outra pernambucana,  sonhava com uma vida melhor para as mulheres com quem convivia no sertão. O que elas têm em comum? 

Livro de Madu Costa
Ilustração de Rubem Filho – Mazza Edições

Elas não aceitaram ficar na base da pirâmide racial “criada” no século  XVII que colocava a raça branca no topo, a amarela na parte intermediária e os negros na base inferior. Isso para legitimar a dominação dos brancos sobre as demais raças, até então definidas. E também, para enraizar a ideia que existem raças “melhores” e “piores”. Elas não permitiram que a discriminação de gênero e racial fosse barreira para atingir seus sonhos. Isso, numa época que “feminismo” era um “palavrão”.

“Eu fui criada fechada em casa. Quando saí, foi para ir à escola, e foi quando, pela primeira vez, a criançada começou: ‘negrinha, negrinha’. Quando eu estava em casa, eu nunca tinha ouvido. Então, eu levei um susto”.

Virginia Leone Bicudo

Esse relato é de Virgínia Leone Bicudo que foi  a primeira pessoa a escrever uma tese sobre relações raciais no Brasil, inaugurando, na academia, o debate sobre racismo. Foi também a primeira psicanalista não-médica no País. “Eu me interessei muito cedo por esse lado social. Não foi por acaso que procurei psicanálise e sociologia. Veja bem o que fiz: eu fui buscar defesas científicas para o íntimo, o psíquico, para conciliar a pessoa de dentro com a de fora. Fui procurar na sociologia a explicação para questões de status social. E, na psicanálise, proteção para a expectativa de rejeição. Essa é a história”, disse Virgínia, em uma entrevista de 1998.

 

Katemari Rosa

Katemari Rosa alcançou as estrelas. Formada em física pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, mestre em filosofia e em história das ciências pela Universidade Federal da Bahia e doutora em ciências pela Universidade de Columbia, EUA. Atualmente é professora na Universidade Federal de Campina Grande, PB e, uma de suas principais preocupações é com a formação de professores que inspirem jovens negros para a área de ciências.

“Nós mulheres rurais somos a sustentação política e econômica do país”, diz Elizete da Silva, militante do Movimento da Trabalhadora Rural do Nordeste, que luta contra o machismo e a violência. Ela militou  contra a repressão do Regime Militar. Anos mais tarde foi dirigente sindical, se aproximou da luta feminista no Fórum de Mulheres de Pernambuco; criou uma organização de mulheres em seu município, o Centro das Mulheres de Pombos; participou de lutas urbanas através do Fórum de Reforma Urbana, apesar de ser trabalhadora rural.Mas foi no Movimento da Mulher Trabalhadora Rural do Nordeste (MMTR-NE), no qual hoje integra a coordenação em Pernambuco, que se encontrou como mulher, como mulher negra, como mulher trabalhadora rural e como pessoa.

Três mulheres que de princesas imaginárias guerrearam lutas reais, venceram batalhas memoráveis e hoje reinam absolutas, seja na memória, seja ainda em vida, em suas áreas de atuação.

 

Fontes:

https://www.brasildefato.com.br/2017/07/25/8-mulheres-negras-cientistas-brasileiras-que-voce-precisa-conhecer/

http://www.huffpostbrasil.com/2017/04/16/quem-foi-virginia-bicudo-mulher-negra-e-pioneira-na-psicanalis_a_22041991/

http://mundoeducacao.bol.uol.com.br/sociologia/racismo.htm

https://www.brasildefato.com.br/2017/07/28/nos-mulheres-rurais-somos-a-sustentacao-politica-e-economica-do-pais-diz-militante/

 

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