JULIANA OU REBECA – MAIS UM ABORTO DO ESTADO?!

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JULIANA OU REBECA – MAIS UM ABORTO DO ESTADO?!

Karoleyne

Juliana ou Rebeca seria uma menina que sonharia ser princesa, como tantas, uma adolescente cheia de sonhos, amores e mais uma mulher a lutar por seu espaço no mundo. Seria se não tivesse sido abortada pelo estado. Sua mãe Karolyne Nunes de Almeida Alves, 19 anos, estudante, grávida de 5 meses foi baleada ao fazer um lanche, no Complexo do Alemão, comunidade no Rio de Janeiro. Ela segue internada em estado grave. Juliana ou Rebeca, que seria um dos nomes de sua filha, se foi. Juliana ou Rebeca conheceu a realidade das comunidades e periferias antes de vir ao mundo.

Karoleyne

De junho até agora é o quarto caso de crianças que não tiveram sequer a oportunidade de nascer.Tiveram essa oportunidade tirada por balas perdidas ou não.  Elas foram vítimas do aborto social praticado rotineiramente pelo estado.

Ah, mas esse tipo de aborto do estado, provocado pelo descaso com que o estado trata as comunidades e periferias não é crime previsto na lei que nossos digníssimos legisladores discutirão essa semana.A mulher vítima de estupro não terá direito a decidir se prossegue ou não com a gravidez produto do estupro – será crime. Afinal, o feto tem direito à vida. E a Juliana ou Rebeca, onde está o direito à vida dela? Penalizada socialmente antes de nascer. Penalizada por estar numa comunidade, verdadeira zona de guerra. Penalizada por não pertencer à classe dominante. 

Penalizada pela sociedade preconceituosa que rotula os favelados como pessoas sub-humanas. Quantas vezes ao externar minha preocupação com as crianças que vivem nas comunidades em guerra, canso de ouvir de colegas “eles já estão acostumados com tiroteios”; “ver gente morta nas vielas é comum para eles”. Não. Ninguém se acostuma com essas coisas. Os traumas, a inversão de valores, o medo constante, a revolta, e tantas outras cicatrizes ficam e são quase impossíveis de superar. A esses sobreviventes do aborto social do estado, só resta a esperança…

 

 

Fonte:

http://odia.ig.com.br/rio-de-janeiro/2017-12-03/gravida-e-baleada-no-complexo-do-alemao.html

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