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CAMILA, MAIS UMA CUJOS SONHOS FORAM INTERROMPIDOS…

Camila tinha 15 anos quando a conheci, minha aluna na 1ª série do ensino médio. Menina tranquila, aparentava uns 12 anos, moradora da comunidade onde trabalho. No início desse ano, já na 2ª série, ainda minha aluna, chegou grávida. Aos poucos, foi empalidecendo, perdendo o brilho, até que abandonou a escola. Voltei a encontrá-la já com o bebê. Já não era aquela menina, era uma adolescente precocemente envelhecida, com uma aparência cansada, sem expectativas alguma. Ontem, ao assistir o programa Profissão Repórter, que abordou a gravidez precoce, lembrei logo da Camila. É uma realidade dura de ver. Porém mais dura para quem vive.

Uma pesquisa feita pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) indica que uma em cada cinco crianças brasileiras são filhas de mães que engravidaram entre os 10 e 19 anos. E que 76 entre cada 100 crianças/adolescentes que engravidam nessa faixa etária, abandonam a escola, assim como a Camila. A gravidez precoce muda cruelmente a realidade das meninas, principalmente das comunidades e regiões mais pobres. “Ultimamente, as jovens estão ficando grávida muito crianças. A gente recebe criança de 12 anos. A gente conversa com as adolescentes, faz palestras, mas o índice é muito grande. E nessa faixa etária muitas se recusam a fazer o pré-natal porque têm vergonha”, conta a agente de saúde, Lidiana Pereira Brito. Por conta do alto número de adolescentes grávidas, a Secretaria de Saúde do Acre criou um projeto para conscientização nas escolas. O projeto começou em 2015 e já conseguiu reduzir em 11% os casos de gravidez entre adolescentes nas escolas do estado. O objetivo é também mudar o comportamento dos homens. “O moralismo e o machismo entram forte. O menino é incentivado a ter várias parceiras e não a ser pai”, afirma Antonio de Oliveira, criador do projeto.

Muitos dizem “mas elas tem acesso à informação, como se prevenir”. Concordo. Mas estamos falando de meninas que ainda não tem maturidade para entender plenamente as consequências. Meninas que em sua maioria, vem de famílias desestruturadas e que acabam reproduzindo o que vêem em sua volta. O interessante é que nunca ouvi ou vi um comentário do tipo “os meninos ou rapazes tem acesso à informação, como se prevenir”. Por quê? Primeiramente, nossa sociedade ainda é em sua maioria, machista. Não vê o homem como co-responsável pela gravidez precoce. É mais fácil penalizar a mãe e vitimizar o pai. Afinal, a vida dele não será interrompida, ele continuará a estudar, se quiser, trabalhar e por aí vai. Mas e ela?!

 

Fonte: http://g1.globo.com/profissao-reporter/noticia/2017/12/uma-em-cada-5-criancas-no-brasil-e-filha-de-meninas-entre-10-e-19-anos.html

 

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