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VIOLÊNCIA DOMÉSTICA DE PAIS PRA FILHOS…

Adriana Bahia, 39 anos, manicure, de Campo Grande, viu a mãe ser assassinada por um ex-companheiro e, durante os nove anos de casamento, também foi agredida pelo pai de seus filhos. Ela chegou a ser esfaqueada pelo ex-companheiro.Por que Adriana reproduziu a mesma situação de violência sofrida pela mãe? Já perceberam como muitas mulheres acabam sendo vítimas de histórias de violências domésticas já vividas pelas mães ou avós? Por que essa triste realidade em “herdar” a violência doméstica de outras gerações?

De 10 mil mulheres nordestinas, 2.300 lembram de terem visto as mães sofrendo agressões de seus companheiros. Desse total, 40% revelou sofrer violência no relacionamento atual. Isso é o que mostra a pesquisa coordenada por José Raimundo Carvalho, professor da Universidade Federal do Ceará e coordenador Mundial da Pesquisa Condições Socioeconômicas e Violência Doméstica e Familiar Contra a Mulher. Ele afirma que  a raiz da perpetuação está no fato de a menina, ao presenciar a mãe apanhando, entender que o papel da mulher em um relacionamento seja de submissão e aceitação da violência em prol da manutenção do casamento. “Ela acha que deve suportar qualquer coisa pelo ‘bem’ da relação” E os homens? A pesquisa mostrou que cerca de 42% daqueles que viram as mães serem agredidas reproduziram a violência no lar. “Os meninos acabam aprendendo que os conflitos conjugais têm e devem ser resolvidos em última instância pelos homens, ainda que seja preciso se valer de atos violentos. As agressões que acontecem hoje têm grandes chances de serem perpetuadas tanto pelas filhas, quanto pelos filhos das vítimas no futuro”, alerta José Raimundo Carvalho. Ou seja, “nas duas situações se passa um ‘script’ para a vida adulta. Para a mulher no sentido de aceitar a violência, e ao homem no de resolver conflitos familiares através dela.”

Esse não é um retrato só do Nordeste, é um retrato de todo o Brasil, quiçá do mundo. Quando falamos de violências domésticas, tendemos a focar o casal, e deixamos em segundo plano, os filhos.  Já ouvi algumas mulheres dizerem que “aguentaram tal situação por causa dos filhos”. Elas não percebem que agindo assim não ajudam e, só prejudicam os filhos,formando adultos com grande tendência a serem mulheres vítimas e companheiros agressores. A violência doméstica, em todas as suas formas, marca os filhos, além de incentivá-los a agir daquela forma quando expostos a situações parecidas. Afinal, é assim que os estamos educando, não é?

 

Fonte: https://estilo.uol.com.br

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