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NÃO RESOLVO COM MULHER!

Não resolvo nada com mulher“. Foi o que disse um homem que não quis se identificar, aparentemente alcoolizado, falando apenas que era ‘polícia‘, após bater no carro de Laura*, 28 anos, mãe e solteira, moradora no Rio de Janeiro que estava sozinha dirigindo seu carro, patrimônio conquistado com muito suor. Ele reforçou a frase com o dedo apontado para Laura*. Ela havia saído  para  ir ao supermercado e, ao descer uma ladeira,  o motorista do carro da frente, sem sinalizar, simplesmente resolve dar ré. Ela buzinou e ele, sem dar atenção à buzina acelerou em ré  batendo na frente e lateral do carro de Laura. Ela desligou o carro e seguiu em ao direção ao outro automóvel para resolver o problema. Até então, uma situação “cotidiana”. Mas tudo se inverteu quando o carona do automóvel se apresentou como dono do carro e “polícia” e, o motorista se evadiu. Ela pediu para ele se identificar. Afinal, já que o mesmo quer usar a sua “autoridade de policial”, ela tem o direito de saber a sua identificação. De acordo com artigo 68 do Decreto-lei 3.688/41 , caso um policial solicite seus documentos e você recuse, é crime. O mesmo se recusa. Laura insistiu em resolver o problema. A reação dele foi colocar o dedo no peito dela com clara expressão de ameaça e repetir que não resolvia nada com mulher. Laura ligou para  o 190 para pedir ajuda. Afinal havia risco para ela, já que o fato ocorreu em frente a um bar onde haviam vários homens, aparentemente amigos do “não identificado” que simplesmente riam. Cerca de uma hora depois da primeira ligação (sim, foram várias) e, ter passado pela humilhação de ser convidada, com ar de deboche, pelo “não identificado” para “tomar uma cervejinha”,  chegou a viatura policial. Ufa!  finalmente agora estou protegida pensou ela. Pensou errado. Ao fazer o BRAT (Boletim de Registro de Acidente de Transito), um policial informou que ou ela correria atrás do prejuízo ou o processava pelo abuso de autoridade (Art. 6º, § 5º, lei nº Lei 4.898/65). “Se você processar ele pela palhaçada de ter se apresentado como policial, estando alcoolizado, agido de modo a te constranger e ainda mandar o motorista do carro ir embora. Sabe que ele não vai pagar. Não vai dar em nada….”, aconselhou o policial que fez o BRAT dela.

Esse fato ocorrido há quase um mês, foi relatado por uma amiga que preferiu não se identificar aqui, por medo gerado por tudo o que passou. Até hoje, o indivíduo “não identificado” não atende as ligações ou, quando atende, diz estar “de serviço” e que retornará mais tarde. Ela pretende entrar com processo contra ele. Espero que tenha sucesso, mas…

Definitivamente, o machismo, a misoginia, a discriminação de genero e o corporativismo ainda estão muito enraizados em nossa cultura. Existem exceções? Sim, mas a regra ainda é…

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