APARTHEID NAS UNIVERSIDADES? TERIAMOS TRANSPLANTE DE CORAÇÃO SE NÃO FOSSE UM NEGRO?

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APARTHEID NAS UNIVERSIDADES? TERIAMOS TRANSPLANTE DE CORAÇÃO SE NÃO FOSSE UM NEGRO?

Hamilton Naki

“Quando foi que a UNICARIOCA deixou de pertencer à elite branca e passou a ser infestada por favelados, mulatos, negros cotistas, PROUNI e FIES? Não conseguem viver sem se portar como seus ancestrais macacos; ficam tirando selfies, interrompendo a aula, formando grupos para gazetar aulas e deixar os professores a sós na sala, forçam saída mais cedo, usam a UNICARIOCA como point para dar ‘rolézinhos’ e fumar maconha, que, por sinal, é descaradamente vendida por lá. A Unicarioca de hoje se tornou uma boca de fumo e senzala gigantesca para abrigar toda pária social“.

Equipe que realizou o primeiro transplante de coração.

Esse é um trecho de texto postado em um blog. Revoltante, não é? Ao ler isso lembrei imediatamente de Hamilton Naki, um símbolo emocionante da discriminação racial na década de 60. Negro, pobre, jardineiro e segregado pelo apartheid na África do Sul, ele  aprendeu  a realizar os procedimentos mais difíceis da cirurgia cardíaca, fazendo operações em animais.Os verdadeiros médicos não queriam perder tempo com esta atividade, considerada imprópria para os formados nas grandes instituições.E Hamilton Naki que cortasse cabras e carneiros para aprender a transplantar corações.Passaram-se anos. Na hora de se fazer o primeiro transplante humano,o médico Christian Bernard concluiu que o jardineiro era realmente o profissional mais habilitado para retirar o coração de uma mulher falecida, em condições de implantá-lo num homem, sem danificar o órgão.E, claro, foi bem sucedido no grande momento.Com o tempo, perguntou-se porque um negro aparecia nas fotos da equipe vitoriosa. A dureza do regime racista mais nojento do mundo impediu o médico Bernard de contar a verdade. Ele, que repudiava o racismo, apenas podia dizer que Hamilton Naki fez parte da equipe de limpeza.

Hamilton Naki

Quando o apartheid foi declarado extinto, o médico pioneiro dos transplantes finalmente declarou: “Podia ver que ele era um jovem muito capaz e lhe dei mais o que fazer. Eventualmente, ele poderia fazer um transplante de coração melhor do que os médicos em formação, que vieram da Universidade de Cape Dow”.Entretanto, o preconceito cristalizado na elite sul-africana nunca aceitou plenamente este feito de um negro. 

É esse mesmo preconceito que vimos naquele post, de alguém que acha que as universidades “pertencem” às “elites brancas”. Alguém que ainda vê o mundo dividido em casa grande e senzala. Alguém que vê os negros como pária social. Acorda moleque ou moleca! Pária social existe sim. E é formada por pessoas como você que não conseguiram sair do lamaçal de preconceitos; você que, com certeza não chegará nunca a ser tão importante para a sobrevivência da humanidade como um NEGRO E POBRE CHAMADO HAMILTON NAKI.

Fontes:

https://g1.globo.com/rj/rio-de-janeiro/noticia/blog-com-mensagens-racistas-sobre-estudantes-negros-provoca-revolta-em-universidade-do-rio.ghtml

 

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