DO ESTUPRO COLETIVO À OBESIDADE MÓRBIDA – CAIU NA GORDOFOBIA

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DO ESTUPRO COLETIVO À OBESIDADE MÓRBIDA – CAIU NA GORDOFOBIA

“Comecei a comer para mudar meu corpo, queria que ele se tornasse repulsivo, indesejável, queria construir uma fortaleza. Nunca mais ter os olhares, nem a atenção, dos homens. A vontade era poder manter os homens à distância. Não queria que nada nem ninguém me tocasse.”. Esse é um trecho do relato de Roxane Gay que chegou a pesar 262 kg.

Roxane Gay

Comer compulsivamente até se tornar “uma obesa mórbida” foi o que ela, então com 12 anos, fez para se proteger após um trauma. “Minha vida se divide em duas: antes de engordar, depois de engordar. Antes de ser estuprada, depois de ser estuprada.” Na época, um menino de quem Roxane  Gay gostava, a levou para uma casa em uma floresta, e junto com outros garotos, a violentou sexualmente. Não foi apenas estupro, foi estupro coletivo. Por causa da culpa que sentia Roxane Gay guardou o crime em segredo por mais de 30 anos. Hoje, aos 43 anos e cerca de 70 kg a menos – que perdeu apenas em nome da saúde, é importante dizer, ela resolveu expor o crime. Roxane tem sido uma ativista aguerrida contra a gordofobia – ela é um dos nomes mais importantes do feminismo contemporâneo e uma autora best-seller no mundo todo. Em seu último livro, “FOME – Uma autobiografia do (meu) corpo” (ed. Globo Livros) ela relata o estupro coletivo e a gordofobia de que foi alvo. “Definitivamente foi doloroso. Mas houve ainda benefícios nesse processo. Ao analisar meu passado, minha vida e meu corpo, percebi que, independentemente das falhas que tenho, estou fazendo o melhor que posso, e quando por mim. Não sei se qualquer um de nós tem controle das nossas próprias narrativas, mas escrever esse livro me permitiu reivindicar a minha. Me possibilitou desafiar as suposições que as pessoas tendem a fazer sobre mim e e sobre corpos como o meu”.

É triste, muito triste ver alguém que perdeu parte de sua infância, sua adolescência por um crime tão hediondo, se refugiando na obesidade. Mais triste é ver o julgamento e preconceito sofrido por ela. Julgar? É muito fácil e perigoso. Praticar a empatia, saber se colocar no lugar do outro? Aí...

Fontes:

Livro “Má Feminista”  – Roxane Gay – ed. Novo Século

Livro “FOME – Uma autobiografia do (meu) corpo” – Roxane Gay – ed. Globo Livros

https://estilo.uol.com.br

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