HOMOFÓBICO TEM MEDO DE GENTE?
15 de janeiro de 2018
ASSEDIO SEXUAL NO TRABALHO: DENUNCIAR OU MANTER O EMPREGO?
17 de janeiro de 2018

No retorno das suas atividades, previsto para o início de fevereiro, o Legislativo nacional deverá apreciar entre outros temas, a proibição do aborto em qualquer caso. E como já vimos por diversas vezes, questões importantes como essa, são votadas na calada da noite. Depois, é só sentar e chorar… Precisamos falar sobre o aborto sim! E a hora é agora.

Pelas atuais leis brasileiras o aborto só é autorizado em três casos: se a gravidez for fruto de estupro, se colocar a vida da mãe em risco ou se o feto for anencéfalo (não possuir cérebro). O que querem a maioria dos nossos ilustres legisladores tão preocupados com a vida dos brasileiros? Criminalizar todo e qualquer tipo de aborto. Mesmo tendo se passado quase 80 anos desde a criação da atual lei, ainda persiste a dificuldade de atendimento aos “casos legais” em hospitais públicos. Por que isso? É a velha política da desigualdade social. A elite não procura atendimento nesses locais. Para eles, da elite, as clínicas particulares de 1ª linha atendem muito bem. Aos pobres, resta o auto-aborto, clínicas de fundo de quintal, conviver com uma gravidez proveniente de um estupro, uma gravidez ciente de que seu bebê não viverá o suficiente para a primeira amamentação, ou que ela, mãe, não viverá para ver sequer o rostinho de seu bebe. Mas, com essas vidas brasileiras nossos ilustres legisladores não estão preocupados. Afinal eles são parte da elite, não é?

E quanto aos demais abortos não previstos na lei atual? Estima-se que entre 400 e 800 mil mulheres se submetam por ano a um aborto no Brasil, a maioria deles ilegais. Segundo as estatísticas do Ministério da Saúde, mais de 200 mulheres morreram em 2015 após tentativas de interrupção da gravidez. Se são descobertas, podem ser condenadas a até três anos de prisão, e o médico que realiza o procedimento a até quatro anos, apesar de processos desse tipo serem pouco frequentes. A onda de depoimentos públicos por parte de atrizes, escritoras e tantas outras com visibilidade na mídia, tem acalorado debate sobre o aborto ilegal. Os conservadores temem que o STF legalize o procedimento e as ativistas temem que o Congresso reduza o já limitado direito ao aborto. A discussão precisa ser ampliada à toda a sociedade. As mulheres de todas as classes sociais, principalmente as mais carentes,  em todas as regiões do Brasil precisam ser ouvidas. Precisamos falar sobre o aborto sim! E a hora é agora!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Facebook