A PESTE DE JANICE, DA FICÇÃO À REALIDADE.

O ABACATEIRO ME ENSINOU.
27 de março de 2018
BELEZA VAI MUITO ALÉM DO PESO!
31 de março de 2018

A PESTE DE JANICE, DA FICÇÃO À REALIDADE.

Assim que seu pai faleceu a mãe, servente de uma escola apenas para meninas, conseguiu uma bolsa para sua filha, Janice que, não foi bem recebida pelas colegas de turma. Muito pelo o contrário. Seu ano letivo se iniciou com uma bolinha de papel em suas costas. A professora notou e chamou a atenção da menina que jogou. No intervalo Janice tenta pedir desculpas pelo ocorrido, mas quando toca na outra, começa a “peste da Janice”. A cada vez que alguém a tocasse, deveria encostar na outra e assim por diante sempre falando “ te passei a peste de Janice”. Sua única companhia era uma coleguinha de turma que fazia o mesmo caminho que o dela para casa. Mas…. dentro da escola era diferente. Ela seria a única a falar com a Janice de verdade, mas apenas fora da escola.“Não é que a opinião das outras fossem tão importante. Mas eram importantes. Não era importante, mas era importante. Não era, e era.”Até que um dia um material desta menina cai no chão, e Janice o entrega. Todos esperam que a outra comece a “peste da Janice”, o que todas as meninas esperam que a outra faça, é exatamente o oposto do que a menina fez. Esta é a descrição de um curta-metragem, baseado em um conto de Luís Augusto Fischer.

Seria apenas um conto, só que nessa semana recebi o seguinte texto, também ficção, mas sei que pode ser verdadeiro:

“Um menino tinha uma cicatriz no rosto, as pessoas de seu colégio não falavam com ele e nem sentavam ao seu lado, na realidade quando os colegas de seu colégio o viam franziam a testa devido à cicatriz ser muito feia.Então a turma se reuniu com o professor e foi sugerido que aquele menino da cicatriz não frequentasse mais o colégio, o professor levou o caso à diretoria do colégio.A diretoria ouviu e chegou à conclusão que não poderia tirar o menino do colégio, e, que conversaria com o menino para dizer que ele seria o ultimo a entrar em sala de aula, e o primeiro a sair, desta forma nenhum aluno via o rosto do menino, a não ser que olhassem para trás.O professor achou magnífica a ideia da diretoria, sabia que os alunos não olhariam mais para trás. Levado ao conhecimento do menino da decisão ele prontamente aceitou a imposição do colégio, com uma condição:Que ele compareceria na frente dos alunos em sala de aula, para dizer o por quê daquela CICATRIZ.A turma concordou, e no dia, o menino entrou em sala dirigiu-se a frente da sala de aula e começou a relatar:

– Sabe turma eu entendo vocês, na realidade esta cicatriz é muito feia, mas foi assim que eu a adquiri:

– Minha mãe era muito pobre e para ajudar na alimentação de casa minha mãe passava roupa para fora, eu tinha por volta de 7 a 8 anos de idade…

A turma estava em silencio atenta a tudo.

O menino continuou: além de mim, havia mais 3 irmãozinhos, um de 4 anos, outro de 2 anos e uma irmãzinha com apenas alguns dias de vida.

Silêncio total em sala.

– Foi aí que não sei como, a nossa casa que era muito simples, feita de madeira começou a pegar fogo, minha mãe correu até o quarto em que estávamos pegou meu irmãozinho de 2 anos no colo, eu e meu outro irmão pelas mãos e nos levou para fora, havia muita fumaça, as paredes que eram de madeira, pegavam fogo e estava muito quente…

Minha mãe colocou-me sentado no chão do lado de fora e disse-me para ficar com eles até ela voltar, pois minha mãe tinha que voltar para pegar minha irmãzinha que continuava lá dentro da casa em chama.

Só que quando minha mãe tentou entrar na casa em chamas as pessoas que estavam ali, não deixaram minha mãe buscar minha irmãzinha, eu via minha mãe gritar:

– “Minha filhinha está lá dentro!” Vi no rosto de minha mãe o desespero, o horror e ela gritava, mas aquelas pessoas não deixaram minha mãe buscar minha irmãzinha…

Foi aí que decidi. Peguei meu irmão de 2 anos que estava em meu colo e o coloquei no colo do meu irmãozinho de 4 anos e disse-lhe que não saísse dali até eu voltar.

Saí de entre as pessoas, sem ser notado e quando perceberam eu já tinha entrado na casa. Havia muita fumaça, estava muito quente, mas eu tinha que pegar minha irmãzinha. Eu sabia o quarto em que ela estava.

Quando cheguei lá ela estava enrolada em um lençol e chorava muito…

Neste momento vi caindo alguma coisa, então me joguei em cima dela para protegê-la, e aquela coisa quente encostou-se em meu rosto…

A turma estava quieta atenta ao menino e envergonhada, então o menino continuou: Vocês podem achar esta CICATRIZ feia, mas tem alguém lá em casa que acha linda e todo dia quando chego em casa, ela, a minha irmãzinha me beija porque sabe que é marca de AMOR.

Vários alunos choravam, sem saberem o que dizerem ou fazerem, mas o menino foi para o fundo da classe e imovelmente sentou-se.

Quantas Janices e quantos menninos com sérias cicactrizes existem nesse mundo onde a aparência, a condição social valem mais que o caráter? Quantos traumas adquiridos na infância por preconceitos reproduzidos de casa essas crianças carregam? Nenhuma criança nasce com preconceito ou discriminando o outro. Então onde elas aprendem isso?

Uma sugestão, ao invés de ovo de páscoa, porque não aproveitar o dia do renascimento e lembrar às nossas crianças, independente de qualquer religião, o renascimento daquele que deixou a mensagem mais importante e cada vez mais esquecida: “ Como eu vos amei, assim também vós deveis amar-vos uns aos outros”

Fontes:

Curta metragem: com direção Rafael Figueiredo e roteiro de Cristina Gomes

https://www.youtube.com/watch?v=povo9wCtITo

Conto: (  FISCHER, Luís Augusto. A peste da Janice. In: Escuro, claro: contos reunidos. Porto Alegre: L&PM, 2009)

Facebook

 

 

 

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Facebook