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Que a educação é o melhor caminho para o combate às discriminações, preconceitos, desigualdades sociais  e  violência de gênero, não tenho dúvida. Por isso, vejo notícias ligadas à educação, principalmente ensino fundamental, com atenção redobrada. 

Entre quase infinitos problemas urgentes a serem resolvidos em relação à educação, o governo federal colocou como prioridade e meta para os primeiros 100 dias de governo, nessa área, a educação domiciliar. Nesse tipo de educação, a criança não vai à escola e o conteúdo é ensinado pela família. As medidas a respeito ficarão sob a responsabilidade da Ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos, Damares Alves e não, a cargo do Ministério da Educação. 

Que a Ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos está ali para desviar a atenção para que medidas de outras áreas do governo passem batido, não tenho dúvida. Que a visão social dela é limitada, também não tenho dúvidas. Que, mesmo como simples transmissora de ideias e mudanças ela pode causar estragos sérios, também não tenho dúvida.

Em defesa da educação domiciliar Damares Alves alega que atenderá cerca de trinta mil famílias e  afirma ainda que, “Na educação domiciliar, o pai vai poder gerenciar, inclusive, conteúdos. O pai vai poder estar junto com o aluno, com o filho, acompanhando o conteúdo, acompanhando o material didático. Outra coisa que todo mundo fica perguntando: e este material didático? O pai vai ter acesso a este material didático, que vai ajudá-lo a dar a aula em casa. Não é uma coisa solta, perdida. Vai ter logo no mercado material que vai orientar o pai como aplicar a educação para o menino de 4 anos, de 5, de 6…”. Que fique claro, o material didático terá que ser comprado pelos pais.

Ministra, talvez a senhora não saiba que, no mínimo, cerca de dois milhões de crianças estão fora das escolas de acordo com os dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). Sabe por que, Ministra? Falta de escolas. Em muitos lugares por esse brasilzão afora, as crianças têm que andar quilômetros em transporte caindo aos pedaços, em carroceria de caminhão, de barco, a pé,… Mesmo em áreas urbanas, a falta de vagas na rede pública é  um problema recorrente Ah, nesses casos a educação domiciliar seria excelente, diria a senhora. Quem ensinaria? A mãe ou o pai que trabalham de sol a sol desde criança e por isso ficaram fora da escola, sendo hoje, no máximo semianalfabetos?  A mãe ou o pai (quando fizer parte do núcleo familiar) que saem para trabalhar as 5h e chegam em casa depois das 20h, exaustos. Sim, Ministra,essa é a realidade da maioria das famílias brasileiras. Mas essa realidade, talvez a senhora já não enxergue mais do alto do seu cargo.

Por fim, senhora ministra, na sua fala a senhora se refere ao “pai”, ao “menino”. Ministra milhões de lares brasileiros são mantidos e chefiados por mães solo. Lares abandonados pelos homens de bem. Homens que se recusaram a assumir suas responsabilidades paternas.Ah, outra coisa, senhora Ministra, também existe meninas em nosso mundo, viu?

E assim, (des)caminha a educação…

 

 

 

Fontes:

https://exame.abril.com.br

http://agenciabrasil.ebc.com.br/educacao/noticia/2018-06/mais-criancas-estao-na-escola-mas-ainda-e-preciso-incluir-19-milhao

https://g1.globo.com/politica/blog/andreia-sadi/post/2019/01/25/damares-educacao-domiciliar-permite-a-pais-ensinar-mais-conteudo-e-gerenciar-aprendizado.ghtml

 

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