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Final dos anos 40, especificamente, 29 de janeiro de 1948. Nascia no interior de Pernambuco Cícero Caetano Leonardo, que desde cedo se tornou alvo de preconceitos por ser, como se dizia na época, afeminado. Época em que nem se cogitava falar em transgeneridade. A princípio, indo contra toda a sociedade local, Cícero Caetano Leonardo adotou o nome de Caetana. Chegando em São Paulo, já adulta, passou a chamar-se Brenda Lee, em homenagem a cantora norte-americana famosa nos anos 60, Brenda Lee.

Brenda Lee foi morar em São Paulo, no bairro do Bixiga. Ela sofreu discriminações, como sofrem ainda hoje, os transgêneros. Vamos lembrar que a primeira cirurgia de redesignação de gênero, cirurgia de reconstrução sexual no Brasil em uma mulher transexual, foi realizada em 1971 pelo cirurgião Roberto Farina, que o  levou a ser condenado em 1978 a dois anos de reclusão sob alegação de haver infringido as leis que não aceitavam a transgeneridade.

Entretanto Brenda Lee não se acovardou perante a intolerância da sociedade patriarcal. Ela  comprou uma casa no bairro do Bixiga e, partir  1984, começar a acolher portadores de HIV. Lembrando que o primeiro caso oficialmente reconhecido no Brasil foi em 1982.  Nessa época a desinformação e o preconceito reinavam. Até mesmo os familiares rejeitavam quem sofria dessa doença e não havia infraestrutura para acolher quem recebia alta hospitalar e não tinha onde morar. Brenda passou a receber essas pessoas. Daí surgiu a Casa de Apoio Branda Lee,também conhecida como Palácio das Princesas.Lá Brenda Lee recebia de braços abertos qualquer pessoa da comunidade LGBT ou não e portadores de HIV que haviam sido rejeitados por parentes, além de oferecer assistência social e médica.Esse trabalho lindo da Casa de Apoio Branda Lee continua até hoje, após o assassinato brutal de Brenda Lee em 28 de maio de 1996. A morte de Brenda Lee não apagou seu sonho de um mundo igualitário que continua vivo em muitos de nós, inclusive eu. E você?

 

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