PRECISAMOS LEMBRAR URGENTEMENTE DE NISE DA SILVEIRA!

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PRECISAMOS LEMBRAR URGENTEMENTE DE NISE DA SILVEIRA!

Dra. Nise da Silveira

“Em terras de sanidade obrigatória e desenfreada, quem permite a loucura é rei. E rainha. Pois imagine que, sãos e fora de manicômios, estejamos saindo no tapa por nossas verdade. Dividindo o mundo entre o Bem e o Mal. Contabilizando relatos selvagens. Justificando nossa falta de utopia com um racionalismo paralisante. Deixando de sonhar e de se arrepender”. Dra.Nise da Silveira, psiquiatra alagoana (1905-1999), enxergou a riqueza de seres humanos que estavam “no meio do caminho”. No meio do caminho entre o existir e a dignidade. No meio do caminho entre a loucura e a exclusão total. Entre o aceitável e o abominável. Essa mulher se rebelou contra a psiquiatria que aplicava violentos choques para “ajustar” pessoas e propôs um tratamento humanizado, que usava a arte para reabilitar os pacientes. https://exame.abril.com.br.

Nise da Silveira foi a única mulher entre 157 alunos da sua turma na faculdade de medicina. Ali ela já mostrava a que veio. Pequenina no tamanho, imensa em força, coragem, humanidade e atitude.

Dra. Nise da Silveira

Após a morte de seus pais, a Dra.Nise da Silveira e seu marido mudaram-se de Maceio para o Rio de Janeiro. Por ser simpática ao comunismo, foi presa pela polícia de Getúlio Vargas. Ela passou 18 meses no presídio. Quando saiu, ela foi  trabalhar no Hospital Pedro II, antigo Centro Psiquiátrico Nacional, no Rio de Janeiro. O tratamento psiquiátrico, na época,  incluía choque elétrico, cardiazólico e insulínico, camisa de força e isolamento. A Dra.Nise da Silveira era contrária a esses métodos e por isso foi punida, sendo transferida  para o Setor de Terapia Ocupacional do Pedro II, espaço desprestigiado na época. Só que “o tiro saiu pela culatra”. Lá, ela descobriu que as artes plásticas eram o canal de comunicação com os pacientes esquizofrênicos graves, que até então não se comunicavam verbalmente. As obras produzidas por eles davam “voz” aos conflitos internos que viviam. Para Nise da Silveira, a experiência em manicômios mostrou que os hospitais psiquiátricos eram piores que a prisão. Contrária a essa abordagem e defensora de um olhar humanista, em 1956, Nise fundou a Casa das Palmeiras, a primeira instituição a desenvolver um projeto de desinstitucionalização dos manicômios no Brasil. 

Imagens do Manicômio de Barbacena, (MG).

A partir da luta de Nise da Silveira, leis foram criadas dando direitos e garantias aos doentes mentais, ao fechamento de manicômios que na verdade eram “campos de concentração”, como por exemplo, o Manicômio de Barbacena, onde morreram 60 mil pacientes, e deu início a uma forma de tratamento humanizado.

Querem saber mais sobre o trabalho desenvolvido pela Dra. 

Nise da Silveira? Algumas sugestões: Visitem o Museu de Imagens do Inconsciente, no Instituto Municipal Nise da Silveira (antigo Centro Psiquiátrico Pedro II),rua Ramiro Magalhães, 521 – Engenho de Dentro, Rio de Janeiro, RJ; assistam o filme “Nise – O Coração da Loucura” ou leiam um dos vários livros sobre ela.

Cena do filme Nise – O Coração da Loucura

Mas porque falei que é urgente lembrar de Nise da Silveira? Por que o Ministério da Saúde publicou uma determinação em nota técnica dizendo que não considera mais serviços como sendo substitutos de outros, não fomentando mais fechamento de unidades de qualquer natureza. Ainda dá aval ao uso de eletrochoques e reforça a possibilidade de internação de crianças em hospitais psiquiátricos.

A Dra. Nise da Silveira deve estar se revirando agora em seu túmulo revoltada em ver seu trabalho e de tantos outros psiquiátras no sentido de que se enxergue os doentes psiquiátricos como seres humanos, indo por água abaixo. E eu também…

 

 

 

Fontes:

https://exame.abril.com.br.

https://www.revistaforum.com.br/texto-do-ministerio-da-saude-prega-eletrochoque-e-internacao-de-crianca-em-hospital-psiquiatrico-ministro-diz-desconhecer/

https://www.huffpostbrasil.com/2016/04/19/quem-foi-nise-da-silveira-a-mulher-que-revolucionou-o-tratament_a_21701186/

 

 

 

 

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