JENIFER, PERDÃO, TODOS NÓS SOMOS CULPADOS…

CANDIDATAS LARANJAS – MUITO ALÉM DAS COTAS …
14 de fevereiro de 2019

JENIFER, PERDÃO, TODOS NÓS SOMOS CULPADOS…

“Mãe, levei um tiro. Olha aqui.”. Essas foram as últimas palavras que Katia Cilene ouviu de sua filha, Jenifer Cilene Gomes, de 11 anos. “Na hora que começaram os disparos eu estava na cozinha. Quando eu gritei para ela entrar para dentro de casa, ela tinha sido baleada. Ela olhou para mim e disse: ‘mãe, levei um tiro, olha aqui’, e vi o buraco no peito”, lamentou Katia.

“Moço, até quando isso vai continuar?”, pergunta Katia Cilene, amparada por amigas – Fernando Frazão/Agência Brasil

Moradora de uma comunidade no Rio de Janeiro, (RJ), Jenifer Cilene Gomes já nasceu condenada, assim como tantas outras crianças. Condenadas à desigualdade social, à discriminação por serem moradoras de comunidade, ao preconceito por serem negras, ao descaso das autoridades. Na verdade, Jenifer Cilene Gomes, assim como tantos outros moradores de comunidade, já nasceu culpada. Sim, porque não faltará quem diga que ela não deveria estar na porta do “buteco” de sua mãe, descascando cebolas e conversando com as amiguinhas. Não faltará quem diga que a culpa é dela por morar em uma comunidade, onde na opinião dessas pessoas, só tem marginais.

Jenifer Cilene Gomes

Jenifer, perdão, todos nós somos culpados pela sua morte. Todos nós que fechamos a janela do carro, quando vemos uma criança vendendo balas no sinal. Nós que fechamos os olhos ao passarmos por uma comunidade para não ver a miséria reinante lá. Nós que ficamos horrorizados com as mortes de crianças nas comunidades, mas tocamos a vida sem que nada demais tivesse acontecido. Nós que nos omitimos em cobrar das autoridades condições dignas de trabalho, moradia, educação, saúde e segurança para essa população invisível às elites. É, são só crianças negras e pobres…

 

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